Quinta-Feira, 03 de Abril de 2025    Responsável: Jota Oliveira    Fone: 67 9988-5920

ARTIGO: 'A vida indo pelo esgoto" (Rosildo Barcellos)


 

É imanente da fase florida da adolescência, a verdadeira busca por experiências novas e sensações ainda inexploradas. E neste rol aparece a curiosidade pelo uso de drogas, sob todas as formas. Neste particular considero importante a informação aos riscos relacionados ao consumo do álcool e ao uso indiscriminado de drogas ainda que lícitas e de entorpecentes. Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente proíba a venda de qualquer tipo de bebida alcoólica para menores de 18 anos; entre os jovens de 12 a 17 anos a taxa de usuários é preocupante, e a de dependentes de álcool é alarmante.

Ressalte-se atualmente o tema " análise toxicológica" para verificação do consumo de drogas, até porque esta vem sendo utilizada no meio profissional esportivo e no auxílio e acompanhamento da recuperação de usuários em clínicas de tratamento. Há testes disponíveis para a detecção de diversos tipos de substâncias psicoativas. Não é difícil esta análise posto que as drogas são geralmente metabolizadas pelo fígado e excretadas naturalmente. Portanto, analisar a urina em busca de metabólitos das drogas é um dos métodos para se detectar a presença de seu consumo e mais uma evidência de sua ação.

A prática demonstra que o período de duração da detectabilidade das drogas varia de acordo com a frequência e intensidade do uso das mesmas A análise de amostras de urina podem detectar o uso de maconha e de cocaína em períodos mais longos. Já o álcool é metabolizado e eliminado com alguma rapidez e os exames toxicológicos detectam com eficiência o uso recente. No que tange a cocaína retrata-se que ela é um alcaloide presente nas folhas da coca que funciona como um potente estimulante do sistema nervoso central, mantendo o estado de alerta e euforia. Possui efeito semelhante ao da anfetamina, porém com duração mais curta. A base bioquímica da ação é evidenciada pelo bloqueio quanto a retomada da dopamina pela terminação sináptica, prolongando, portanto, sua ação. O uso não recomendado da cocaína geralmente é feito por aspiração nasal direta ou inalação da fumaça. A intoxicação aguda pode produzir crise convulsiva, arritmia cardíaca, infarto do miocárdio, hipertensão, hipertermia e por vezes morte súbita. A cocaína produz dois metabólitos inativos: a metilesterecgonina e a benzoilecgonina - esta última, o principal produto encontrado na urina. Interessante lembrar que a cocaína deriva da folha do arbusto da "coca" (Erythroxylon Coca) do qual existem variedades como a boliviana (huanaco), a colombiana (novagranatense) ou a peruana (truiilense). A planta pode ser produtiva por 30 a 40 anos e com 4 a 5 colheitas por ano.

Urge ressaltar que inicialmente a droga pode transmitir uma falsa e passageira sensação de prazer que gradativamente vai se transformando em dor, sofrimento e infelicidade, de forma é extremamente comum  induzir a  pessoa  a perder a sua dignidade e seu amor próprio. Quando isso acontece, restam como consequências frequentes o encarceramento, vez por outra uma internação em hospital psiquiátrico ou a temida e inexorável morte. Mas todo cuidado é pouco; pois as drogas estão praticamente batendo a nossa porta, um estudo recentemente publicado com dados coletados no Distrito Federal, resultou em saber, que com as devidas projeções, o consumo de cocaína naquela localidade anualmente é próximo de 700 kg. Essa informação foi possível a partir da análise da benzoilecgonina que é secretada pelo organismo dos usuários. Na verdade, uma considerável parcela da cocaína que entra no organismo se transforma ou é convertida na substância sobredita e a análise foi feita medindo a concentração dela, no esgoto. É pra se pensar. É assunto para ser pauta de discussões nos projetos políticos das próximas eleições, acerca da quantidade de adolescentes que já experimentaram esse caminho triste, entre tantos que não voltaram mais, adentrando de peito aberto ao mundo das "drogas" e por fim: indago: imaginemos qual seria o resultado deste estudo em nosso município?

 

AUTOR: Rosildo Barcellos - Articulista


Fonte: Rosildo Barcellos